quarta-feira, 29 de novembro de 2017

TREVAS

AS TREVAS Tive um sonho que em tudo não foi sonho!... O sol brilhante se apagara: e os astros, Do eterno espaço na penumbra escura, Sem raios, e sem trilhos, vagueavam. A terra fria balouçava cega E tétrica no espaço ermo de lua. A manhã ia, vinha... e regressava... Mas não trazia o dia! Os homens pasmos Esqueciam no horror dessas ruínas Suas paixões. E as almas conglobadas Gelavam-se num grito de egoísmo Que demandava “luz”. Junto às fogueiras Abrigavam-se... e os tronos e os palácios, Os palácios dos reis, o albergue e a choça Ardiam por fanais. Tinham nas chamas As cidades morrido. Em torno às brasas Dos seus lares os homens se grupavam, Pra à vez extrema se fitarem juntos. Feliz de quem vivia junto às lavas Dos vulcões sob a tocha alcantilada! Hórrida esp'rança acalentava o mundo! As florestas ardiam!... de hora em hora Caindo se apagavam; crepitando, Lascado o trono desabava em cinzas. E tudo... tudo as trevas envolviam. As frontes ao clarão da luz doente Tinham do inferno o aspecto... quando às vezes As faíscas das chamas borrifavam-nas. Uns, de bruços no chão, tapando os olhos Choravam. Sobre as mãos cruzadas — outros — Firmando a barba, desvairados riam. Outros correndo à toa procuravam O ardente pasto pra funéreas piras. Inquietos, no esgar do desvario, Os olhos levantavam pra o céu torvo, Vasto sudário do universo — espectro —, E após em terra se atirando em raivas, Rangendo os dentes, blasfemos, uivavam! Lúgubre grito os pássaros selvagens Soltavam, revoando espavoridos Num vôo tonto co’as inúteis asas! As feras ’stavam mansas e medrosas! As víboras rojando s’enroscavam Pelos membros dos homens, sibilantes, Mas sem veneno... a fome lhes matavam! E a guerra, que um momento s’extinguira, De novo se fartava. Só com sangue Comprava-se o alimento, e após à parte Cada um se sentava taciturno, Pra fartar-se nas trevas infinitas! Já não havia amor!... O mundo inteiro Era um só pensamento, e o pensamento Era a morte sem glória e sem detença! O estertor da fome apascentava-se Nas entranhas... Ossada ou carne pútrida Ressupino, insepulto era o cadáver. Mordiam-se entre si os moribundos: Mesmo os cães se atiravam sobre os donos, Todo exceto um só... que defendia O cadáver do seu, contra os ataques Dos pássaros, das feras e dos homens, Até que a fome os extinguisse, ou fossem Os dentes frouxos saciar algures! Ele mesmo alimento não buscava... Mas, gemendo num uivo longo e triste Morreu lambendo a mão, que inanimada Já não podia lhe pagar o afeto. Faminta a multidão morrera aos poucos. Escaparam dous homens tão-somente De uma grande cidade. E se odiavam. ... Foi junto dos tições quase apagados De um altar, sobre o qual se amontoaram Sacros objetos pra um profano uso, Que encontraram-se os dous... e, as cinzas mornas Reunindo nas mãos frias dos espectros, De seus sopros exaustos ao bafejo Uma chama irrisória produziram!... Ao clarão que tremia sobre as cinzas Olharam-se e morreram dando um grito. Mesmo da própria hediondez morreram, Desconhecendo aquele em cuja fronte Traçara a fome o nome de Duende! O mundo fez-se um vácuo. A terra esplêndida, Populosa tornou-se numa massa Sem estações, sem árvores, sem erva, Sem verdura, sem homens e sem vida, Caos de morte, inanimada argila! Calaram-se o oceano, o rio, os lagos! Nada turbava a solidão profunda! Os navios no mar apodreciam Sem marujos! os mastros desabando Dormiam sobre o abismo, sem que ao menos Uma vaga na queda alevantassem. Tinham morrido as vagas! e jaziam As marés no seu túmulo... antes delas A lua que as guiava era já morta! No estagnado céu murchara o vento; Esvaíram-se as nuvens. E nas trevas Era só trevas o universo inteiro. Autor: Castro Alves

terça-feira, 17 de outubro de 2017

"Se os tubarões fossem homens?", perguntou ao sr K. a filha da sua senhoria, "eles seriam mais amáveis com os peixinhos?". "Certamente", disse ele. "Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal como vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca, e tomariam toda espécie de medidas sanitárias. Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, então lhe fariam imediatamente um curativo, para que ele não lhes morresse antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem melancólicos, haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar em direção às goelas dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar. O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo, quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que esse futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam evitar toda inclinação baixa, materialista, egoísta, marxista, e avisar imediatamente os tubarões se um dentre eles mostrasse tais tendências. Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, eles iriam proclamar, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não podem se entender. Cada peixinho que na guerra matasse alguns outros, inimigos, que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia o título de herói. Se os tubarões fossem homens, naturalmente haveria também arte entre eles. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores soberbas, e suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos nadando com entusiasmo em direção às goelas dos tubarões, e a música seria tão bela, que a seus acordes todos os peixinhos, com a orquestra na frente, sonhando, embalados nos pensamentos mais doces, se precipitariam nas gargantas dos tubarões. Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa apenas na barriga dos tubarões. Além disso, se os tubarões fossem homens também acabaria a idéia de que os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores poderiam inclusive comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles teriam, com maior freqüência, bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores, detentores de cargos, cuidariam da ordem entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, construtores de gaiolas etc. Em suma, haveria uma civilização no mar se os tubarões fossem homens". Autor:Bertolt Brecht

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Nomes científicos de animais classificados por Linnaeus

Ucides cordatus (Linnaeus, 1763); é um caranguejo-uçá.
Amaranthus retroflexus L. ou Passer domesticus (Linnaeus, 1758); é um pardal-doméstico ou pardal-do-telhado.
Atta sexdens (Linnaeus, 1758) Fabricius, 1804; é um inseto.
Canis familiaris Lineu, 1758; é um cão ou cachorro.
Apis melífera Linnaeus, 1758; é uma abelha-europeia.
Nasua nasua (Linnaeus, 1766); é um Quati-de-cauda-anelada.

Panthera onca ou Felis onca (Linnaeus, 1758); é uma onça-pintada ou jaguar.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A importância do LDL e o HDL para nosso corpo

O LDL  (Low Density Lipoprotein) é muito importância para o corpo humano, pois é ele que levam as lipoproteína para todas as partes do corpo. Mas uma coisa colesterol não é gordura, é um lipídio e por ultimo o LDL não é todo o grupo que é "mau", pois exitem 11 tipos de LDL e são só 2 tipos que causa problemas para o ser humano.

E o HDL (High Density Lipoprotein) é muito  importância para o nosso corpo, pois é ele que levar as lipoproteína de volta para o fígado para ser quebradas outra vez.


Colesterol é um tipo de álcool, que é um lipídio muito importância para o corpo.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O mundo


Mais o que é o mundo?

Para a filosofia o "Mundo é tudo aquilo que constitui a realidade. Embora esclarecer o conceito de mundo tenha sempre sido considerada uma das tarefas básicas da filosofia ocidental, este tema parece ter sido levantado explicitamente somente no início do século XX e desde então tem estado sujeito a debate contínuo. A questão sobre o que o mundo é ainda não foi respondida." Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mundo_(filosofia)

O mundo na visão de 
Juarez A Motyczka: "o mundo não é só feito de casas, estradas, escolas, muros, paredes e tudo aquilo que a gente pode tocar. Mas principalmente mundo é aquilo que a gente tem e carrega dentro da gente." Referência Bibliográfica:  Motyczka, Juarez A. O que é o mundo?. disponível em: <https://www.flickr.com/photos/juarezam/1330300727>. Acesso em: 11 de Maio de 2017.

Algumas frases a respeito de mundo: "Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente." de - William Shakespeare . Fonte: Pensador .
"O mundo é dos loucos." de Projota que é uma compositor: Projota & Felipe Ret. Fonte: vagalume.
"Não brinque com os outros, o mundo gira. Hoje você brinca, amanhã é brinquedo!" de Caio Fernando Abreu. Fonte: Pensador.
"Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas." de Ariano Suassuna. Fonte: Pensador.
"A fome e o amor são os dois sexos do mundo. A humanidade gira toda sobre o amor e a fome." de Anatole France. Fonte: Pensador.
"Eu sei que agora parece que o mundo conspira contra você, mas ele gira e em um giro desses tudo pode mudar. Então não desiste, sorria. Você é mais forte do que pensa e será mais feliz do que imagina." de Tati Bernardi. Fonte: Pensador.

Pergunto aqui o que é o mundo? Mais quem sou eu na condição de ser humano? Os eternos porquês, não é de se estranha que essa palavra tem despertado curiosidade de muitos pensadores, pois esse é foi o motivo do surgimento da filosofia. Até hoje é comum as duvidas a respeito do mundo, da existência humana e mesmo de se saber quem é o indivíduo é realmente. É por isso que séries como a produzida pela Netflix(Os treze porquês,cujo o nome original é 13 Reasons Why); faz tanto sucesso mesmo no século XXI. É por causa que as pessoas estão procurando sempre respostas para seus problemas mas sem ser ridicularizadas, as vez a unica resposta é o suicídio como foi caso de Hannah Baker, a personagem da série os treze porquês.

E você qual é sua resposta sobre o mundo e sobre o significado da sua existência no mundo?